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26 de abr. de 2013

Pedras 90



Antes de qualquer coisa, meu pedido de desculpas para quem já leu este post, pois o mesmo foi para o ar antes da conclusão por descuido e falta de tempo de minha parte e até um pouco de falta de inspiração.

Anos 90 e tempo bom ...

Os sambas que  pegavam fogo vinham da escola de Martinho da Vila, Roberto Ribeiro, Alcione, Beth Carvalho, João Nogueira e Clara Nunes, que chegaram a beber na fonte de Cartola, Mano Décio, Nelson Cavaquinho entre tantos outros.

Já  despontava o pessoal do Cacique de Ramos, como Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Mauro Diniz.

O Grupo Fundo de Quintal ia substituindo os instrumentos de baquetas como surdo e repinique pelo tantã e repique de mão e reintroduzindo o banjo no samba com a afinação do cavaquinho "re,sol,si,re". Este instrumento já era muito utilizado no samba e no choro do inicio do século, porém com afinação tenor ou americana e de bandolim.

"Os Oito Batutas"


Os batuqueiros no inicio dos anos 90 ainda levavam o pandeiro e o tamborim na mão para o samba, pois não se tinha capa nem estojo com a facilidade de hoje.
Para captação das cordas usávamos um captador do tamanho de um celular preso na boca do instrumento com um fio curto e fino que era ligado na “caixa”; todo samba alguém já mais “exaltado” acabava se enroscando nessas modestas ligações e o pagode acabava ficando acústico, talvez seja dai a preferência de muitos cavaquinistas pelo banjo na época.

Os busões mais modernos da saudosa viação Castro foram equipados com rádio FM, e podíamos ir batucando na marmita ou na tampa do motor os sambas da rádio Manchete que veiculava três vezes por dia o programa Sambalanço que só tocava Samba, ouve até o "1º Festival Manchete de Pagode"  que resultou em um disco gravado ao vivo no Clube Palmeiras, o festival  revelou os interpretes  Royce do Cavaco e Aldo Bueno.

Busão da Castro - São Domingos/Bandeira
 Foi em uma dessas viagens animadas de ônibus que conheci o Joãozinho do Pandeiro, e através dele a maioria da rapaziada do Samba aqui do bairro e que já faziam os pagodes de final de semana nos saudosos botecos da Estela, bar da escada, bar do Geraldinho entre tantos outros.
Hoje passados todos esses anos ainda me recordo o dia que decidimos montar um grupo de pagode e cada um escreveu em um papelzinho um nome para sortearmos, se bem me recordo fui o sorteado mais resolvemos abrir todos os papeizinhos e decidimos pelo nome "Grupo Raiz do Samba" dado pelo amigo Ticolino.
O repertório era basicamente o que se tocava nas rádios e algumas composições inéditas até hoje, também existiam revistas de banca de jornal com a letra e a cifra dos sambas, era a melhor forma de aprender a tocar e pegar a letra, pois o disco mesmo naqueles dias já eram caros.

Revista Pagodeiros.
Compartilhávamos a roupa, calçados e idéias e quem conseguia um “registradinho” dava uma forcinha, com a compra de cordas, couros e ainda patrocinava as brejas, já que todos praticamente foram viver de música, a união era muito forte entra a rapaziada, até algumas gírias foram surgindo entre a turma ali da Samba :
  • “Liga=sujeito chato” 
  • “Lauera=relaxado(a)”
  • “Registradinho=emprego”
  • “Esqueminha=festa” 
  • “Mandar o Lima=faltar” 
  •  “Paga= cache ou couvert” 
  •  “Paradinha=centro de umbanda"
  •  "Maldado=ruim ou bêbado"
Hoje quem dobra a esquina da rua Cardeal Arco Verde com a Av. Eusébio Matoso vê um posto de combustível, mais exatamente nessa esquina funcionava um barzinho chamado “Menino do Rio” onde fizemos as nossas primeiras apresentações e com direito a uma “paguinha”  no final da madrugada.
Encaramos a  noite paulistana e tocamos em todo o circuito de bares, botecos, bimbocas e boates, seja  de samba ou não, que se tenha noticia naquela época, em destaques: Bar da Bete Z/S, Santana Samba Z/N, Sem Compromisso, Podium, Chapolin, Esculacho Z/L, "aqui na Z/O" Balancê e Butekão do nosso saudoso professor +Osvaldão, Brasileirinho Bar, Vila Amada, Clube da Esquina, e o  JB Samba,  que foi a maior referencia de casa de samba na minha opinião; chegaram a ter três casas aqui e ainda traziam as grandes atrações do Rio de Janeiro como Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, e com o tradicional "pagode de primeira na segunda", o SPC e a Boate Vila Verde do Mestre Genaro da Bahia mais para o “Centrão” também fizeram parte do nosso circuito de apresentações, assim como a quadra da Camisa Verde e Branco, com as suas memoráveis festas.

+Osvaldo Martins da Cruz, o Osvaldão 

JB-Sambar

Fomos apresentados ao Sr. Geraldo Filme que era amigo e vizinho do “Joãozinho do Pandeiro” lá na Cohab do João XXIII.

O "Geraldão da Casa Verde" arrumou para o grupo um emprego fixo na  Paulistur no projeto São Paulo Samba, que contava com a participação de Mestre Talismã, Ideval, Borba e vários artistas e grupos, o Show era apresentado pelo “Mestre Nicanor” e alternava-se entre as zonas Leste, Oeste, Norte e Sul de São Paulo aos domingos, e com isto o grupo ganhou uma forma mais profissional e dinâmica de se apresentar  no palco, e buscava sempre inovar com alguma coisa.
Naquelas tardes ensolaradas de domingo fazíamos nosso pagode de mesa no bairro e promovíamos com nosso amigo Carlão os bailes musicados nos salões das Igrejas aqui da região, o mais  legal dessas festas é que praticamente todos os moradores do nosso bairro compareciam, sem a exceção do vigário que aparecia pouco antes da missa para pedir um breque e ficava algum tempinho por ali, além das participações especiais de outros grupos da região.





Virou febre os festivais de Samba e Pagode nas casas noturnas e escolas de samba, chegamos a conquistar um na zona leste no “Podium” com a musica “chover de novo”, Moisés da Rocha o apresentador do programa O samba pede passagem estava entre os jurados, foi emocionante ver na plateia todos nossos amigos na torcida com faixas camisetas e bonés estampados pelos amigos do silk lá da galeria 24 de Maio, todos dando a maior força imaginável.


"Capa da Bolacha"


Chover de Novo

Uma curiosidade muito legal é que fomos nós os músicos de estúdio da faixa e passamos de prima, sem erros durante a gravação, já que era comum os produtores arregimentar músicos especialistas por questão de qualidade e de custos também.

O pagode atingiu a mídia com força total e com isso uma turma de músicos e produtores da pesada começaram a tomar gosto pelo gênero, e muita gente passou a ganhar rios de dinheiro da noite pro dia, infelizmente era preciso pagar o famoso jabá para tocar no rádio e era muito comum a gente comprar fitas de fichas de orelhão e ficar ligando pedindo para tocar a nossa musica.
Com todo esse clima atual de Copa do Mundo aqui no Brasil recordei-me que durante a Copa do Mundo de 1994 estávamos em uma viagem no litoral tocando em um clube, e assistimos juntos a vitória da Seleção sobre a Itália, quem não se lembra do pênalti do Roberto Baggio?. Lá no clube uma senhora entrou no camarim e perguntou quanto o grupo queria para não subir mais no palco alegando não conhecer as musicas do nosso repertório, prontamente mudamos a cara de grupo de pagode para grupo regional, tocando choro e marchinhas de carnaval, o que veio a agradar muito o gosto da senhora na plateia.
Tivemos ainda a honra de participarmos do comercial publicitário para a cervejaria Brahma veiculado  junto com o nosso ainda capitão Dunga, com direito a muito churrasco gaúcho e cerveja a vontade, diga-se de passagem apreciávamos bem esse tipo de coisa.

Não tivemos padrinho, empresário ou líder e a cada dia ficava mais difícil lutar contra a concorrência de tantos grupos apadrinhados, e logo estaríamos abrindo show de grupos que deram canja nos clubes noturnos que tocávamos, o samba mais uma vez estava em fase transitória, a batucada pesada estava dando lugar para a bateria o contra baixo roubou a cena do violão e o cavaco não fazia mais introdução e sim o teclado, era desgastante dava pra sentir na pele da rapaziada mais velha do grupo a tristeza mesmo atrás do eterno sorriso alegre para a plateia que nos prestigiava.
A base do grupo foi se desfazendo e no fim cada um resolveu seguir sua estrada, contudo o mais importante foi de alguma forma ter colaborado um pouquinho com a nossa cultura, ter frequentado tantos ambientes alegres,  ter feitos tantos amigos, essa é a "nossa Raiz do Samba".

João, Miguelli, Luis, Cleber, Zé Luis e Alipio (Improviso em 2009)


Pratas da casa:

Pandeiro: Tico, Joãozinho, Ricardinho e Didu
Repique:  Biulla
Tam Tam: +Luis Carlos, Alipio, Val e Luis da Timba
Rebolo: +Luis Carlos, Prego e Juá
Reco Reco: Gê, Toninho, Julio Marcos e Décio haa
Cavaquinho: Bicudo, Ricardo e Leandro
Banjo: Alex Bocão e Paulinho Pé
Percussão geral: Dininho
Violão: +Lazão, +Carlão, Belotti ,Vudu e (+Ademir (Daniel)  24/07/2013)
Contra Baixo: Luciano e Bicudo


“Hiiiiiiiiiiiiiiiiii Raiz do Samba”

22 de nov. de 2011

1001 Histórias no caderno



Semana passada tocou meu telefone em casa, atendi e para minha surpresa era um amigo muito querido, o Renato. Já não nos falávamos há muitos e muitos anos, a conversa foi breve, ele estava me convocando para juntar a turma antiga de um grupo de pagode lá dos anos 90 e poucos e que fizemos parte, o grupo chamava-se K-estamos, na época a letra K era moda e parecia dar sorte. Chegamos até a gravar um CD lá no Rio de Janeiro com músicos como: Cyron, Dirceu Leite, Felipe d' Angola, Lobão Ramos, Paulo Bonfim, Dudú Dias e Mauro Diniz.

Com a mentalidade “de que se for pra dar certo e fazer sucesso vamos levar o máximo de amigos com a gente”, colocamos em nosso CD várias músicas de nossos amigos compositores como: o Biulla o Caio Prado fundador do Projeto Nosso Samba  de Osasco, o Paqüera do Samba da Vela, Raphael e Silvio, sem essa de bairrismo, e sempre arrumávamos espaço para mais um na banda, tocando um surdo, tocando saxofone não importava.

 
A maioria do pessoal era da Zona Leste e eu tinha que atravessar a cidade para os ensaios que aconteciam todos os dias lá no quintal do Mauricio, “Vocal” do grupo, também faziam parte a sua Irmã, Malú no “tantã”, que por sua vez é esposa do Marcio “Tamborim”, tinha o Ricardo “pandeiro”, Renato “repique”, e eu no “cavaco”.






Renato, Mauricio, Malu, Ricardo, Marcio e Luis

Chegamos a marcar presença em alguns programas de TV e tocar em algumas casas noturnas, nosso empresário era o Sr. J.Palesel, pai do Renato, que sempre incentivou e patrocinou a turma.

Programa Cassino Dance TV Gazeta - Colete? rs...

No fim tivemos que andar com as nossas próprias pernas e tudo ficou mais difícil, para piorar acabei me envolvendo num acidente de trânsito que me custou um ano de internação, várias e várias cirurgias e entra e sai da U.T.I, mas numa manobra de humildade, carinho e amizade a Dona Sonia mãe do Renato conseguiu uma vaguinha pra mim no H.C e ali me recuperei

Uma passagem dessa época que gostaria muito de compartilhar com todos foi quando o grupo arrumou um substituto para mim, o Anderson “Buiú”, já falecido infelizmente e a quem também dedico essas linhas

Ele usava meu cavaquinho emprestado para tocar e dizia: Assim você esta presente sempre. O grupo ainda dividia o cachê com a minha parte mesmo eu estando no hospital e sempre iam me visitar e levavam boas noticias e a paguinha que segurou as pontas lá em casa por esse tempo.

O grupo acabou se desmanchando e cada um seguiu seu caminho, raramente em algum eventual churrasco nos reuníamos com a falta de um ou outro integrante, nos jogos da copa ou feriados de fim de ano.

A voz no telefone foi intimidadora “o pessoal só vai se você for”, acabei aceitando a honra do convite, depois que fui me lembrar que estava sem tirar o instrumento da capa há quase um ano além de ter faltado a tantos convites de vários amigos. 

Comprei um joguinho de cordas dessas “rouxinol leve” pois sabia que ia doer a ponta dos dedos, e dei umas palhetadas e arrisquei alguns solos do Waldir e Jacob, o repertório não tocava há anos , ai lembrei do amigo Rogerio do T.B que falou um dia: Luisão é que nem andar de bicicleta você vai ver meu "bichinho"

Como sempre friso aos meus amigos de sambas, não importa se você toca agogô, sanfona, ou harpa, ou se só fica no cantinho curtindo, o que vale é estar ali junto na roda. Tocando bem ou mal, por dinheiro ou por gosto, relembrando e homenageando os pioneiros do nosso Samba, Choro, Forró, Valsa, Marcha, Pagode, Lundu, Cateretê etc ... e tantas outras bossas que já me meti por ai que até perdi a conta. Tanto faz todos são amigos e músicos com a mesma importância.

Para mim a ausência de um amigo é como a queda de uma folha de uma árvore, mesmo aquela que fica sozinha bem na pontinha do galho é uma perda irreparável quando o vento sopra ela para bem longe.


"Sem palavras"
                                                                                
Por fim, o samba aconteceu, estavam todos lá como há anos atrás, muitas alegrias, lembranças e recordações, um conhecendo o filho do outro e apresentando as esposas e namoradas novas. O evento contou com a presença de bandas de outros estilos e que fizemos questão de aplaudir e prestigiar o trabalho, e da Bateria nota 10 da Turma da Poli aqui da USP. 



Rateria da Turma da Poli -USP




                                            Participação especial do Rodrigo no Pandeiro


Como tudo no Brasil acaba em pizza não podíamos fazer diferente, fomos todos para o apartamento da “Dona Bonia”, umas 20 pessoas fazendo o maior carnaval em um tradicional condominio aqui de Sampa, cerveja e pizza mais cerveja e pizza, e quase que fecha o bendito “shoppinho” onde estacionamos as carangas.

Sem duvida um Sábado muito especial, pois toda essa reunião, juntar os amigos que conseguiram me tirar aqui da toca e tudo isso teve uma causa muito nobre, pois o evento foi promovido pelo grupo de voluntários da casa “Esperança e Luz”, que arrecadou a verba da festa beneficente para levar o natal a quem realmente precisa, as crianças aqui das comunidades carentes da zona Oeste. É muito gratificante saber que aqueles acordes esquecidos no tempo podiam estar contribuindo para um alimento ou brinquedinho na sacola do bom Papai Noel.



"GEL"

Só tenho a agradecer a Oxalá por ter me reservado tamanho alegria e hoje ter essas histórias para contar, e separei dois sambas do nosso CD,  o primeiro que gosto muito da letra, de um amigo nosso lá do RJ o Carlinhos Marreta, já o segundo foi um pedido da Fe, e que tem a participação do nosso padrinho Mauro Diniz.


                                                                                
   
Pra Gente Sorrir
(Carlinhos Marreta/ Alexandre Andrade)


Não é, que eu goste de sofrer.
É que eu prefiro ser só do que me entregar, e nem ao menos desatar o nó, o nó.
Que aperta o meu peito e faz, em silêncio sucumbir.
Um momento de prazer, algo pra gente sorrir.
Que pena, ai ai ai.
Eu não sei fingir.
Que pena, ai ai ai.
O meu coração não quer se abrir.
Já derramei do meu olhar um rio que não encontrou o mar.
De amor (aquele mar de amor).
Que faz tanta gente sonhar.
Tornando melhor o viver.
Que afoga qualquer desamor.
Nas águas do nosso prazer.
Que rola do nosso suor.
Que vem lá do fundo do ser.
Se fosse assim, seria enfim meu querer....




Se a Vida Fosse assim
 (Mauro Diniz / Marquinho P.Q.D)

Se a vida fosse assim, como seria bom.
Um sonho de jardim num céu de luz neon.
Um mar de seduzir os olhos de iemanjá.
Um rosto pra sorrir, e te fazer cantar.
Mas nem sempre é assim os caminhos do amor.
Tem a flor do jardim e os espinhos da flor.
E tem a dor da saudade.
Quando a falsidade não se rende ao prazer do amor.
Pra quem perdeu. Lá laia lá laia lá.




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8 de nov. de 2011

Trio Gato Com Fome


Gregory - Cadu - Renato

Vou apresentar esses meus grandes amigos que conheço já de outros carnavais e que tanto vem batalhando e resistindo  à severa  ditadura fonográfica do nosso país.
Durante todo esse longo trajeto de suas carreiras o Trio vem a cada dia se superando e consolidando-se cada vez mais.
Defendendo a bandeira do nosso samba bem brasileiro, sem deturpação, sem influências alienígenas e  mostrando o que temos de melhor e que poucos conterrâneos aqui da nossa querida cidade da garoa, e do Brasil afora conhecem.

Esse e o Trio Gato Com Fome que, composto por Renato Enoki no violão de sete cordas e pelos irmãos Cadu Ribeiro no pandeiro e Gregory Andreas no cavaquinho, traz ao publico os esquecidos sambas bem-humorados e sambas de gafieira, na linha de Moreira da Silva, Germano Mathias, Geraldo Pereira, entre outros, resgatando e renovando essa tradição, por meio de suas interpretações e composições.
Formado ha cerca de 5 anos, o Trio vem se apresentando nos mais variados locais da capital, interior e litoral (bares, casas de show, teatros, unidades do SESC), e já levou sua musica ao velho continente, com apresentações por cidades como Roma e Berlim. Foi sucesso também em duas temporadas em cruzeiros da companhia MSC, nos navios Musica e Orchestra, percorrendo a costa da América do Sul.
Apresentou-se na TV Cultura, no programa Login (vencedor das eleições musicais com sua musica "Nova embarcação") e no Sr. Brasil, cantando ao lado do apresentador Rolando Boldrin e divertindo a plateia com outra musica de sua autoria, "Derby". Participou também do Jornal da Record News, comandado por Heródoto Barbeiro, e na TV Brasil, foi entrevistado no programa Paratodos. 


Trio Gato com Fome tocando a música "Minha Vizinha"






Com a experiência adquirida, resolveram gravar o primeiro CD, mostrando todo o seu talento em composições próprias e em interpretações de grandes sucessos do passado.


Trio Gato Com Fome

Com Direção Musical do instrumentista e arranjador Milton Mori, o disco conta com participações especiais de Osvaldinho da cuíca, Ulisses Costa, Canarinho e Rolando Boldrin. 


 
Derby  (Cadu Ribeiro,Gregory Andreas e Renato Enok) 



Debochados e sempre trajados ao estilo do velho e bom malandro, esses músicos irreverentes chegam com muita fome de samba. 



Trio Gato com Fome - Não Manche o Meu Panamá.

"Hoje, são poucos os bons trios de instrumentistas e vocalistas, como os que existiram no passado. 0 trabalho do Trio Gato com Fome, feito com competência e profissionalismo, revive também O humor leve e irreverente que existiu no samba e que anda meio esquecido."


Osvaldinho da Cuíca



“É muito gostoso ver esse trio maravilhoso reviver esses momentos, com essa alegria, com essa brincadeira que eles estão fazendo ..."


Rolando Boldrin


Contatos: (11) 9918-8787 
trio@gatocomfome.com.br
http://www.gatocomfome.com.br
FACEBOOK - TRIO-GATOCOMFOME



24 de ago. de 2011

Pelos "Pagodes" da Cidade?

As linhas que seguem não têm um grande valor histórico nem musical para muitos, pois não trazem nenhuma biografia de algum mestre do Samba ou sambas inéditos, mas posso garantir e comprovar a veracidade dos fatos, pois eu mesmo em plena mocidade, “faz tempo”, pude ver com esses olhos que a terra há de comer, a transformação imobiliária e sócio cultural de uma rua aqui de São Paulo situada no Jardim América.

A Primeira vez que andei por ela foi na companhia de dois amigos maiores de idade, eu que era um moleque de 14 anos consegui depois de muita conversa entrar em um dos primeiros e mais tradicionais bares de samba de São Paulo, o Botecão.

Assim que entrei fiquei impressionado ao ver um grupo de samba mandando brasa e o salão repleto de dançarinos. Como alguém poderia cantar e tocar sem olhar para o braço do instrumento assim? No meio da fumaça de cigarro e tanto falatório o samba comeu noite adentro.

Por coincidência ou ironia do destino acabei voltando nessa rua para procurar meu primeiro emprego registrado em carteira, era em uma construtora civil como Office Boy, devia ter eu uns 15/16 anos. Por fim consegui o emprego.
Pelas tardes de Domingo na companhia de meus pais eu retornava a Rua João Moura, que se transformava na rua do choro.
Era um Palco armado atravessando a rua em frente ao Clube do Choro grudadinho com o Botecão.
Lá se apresentavam os maiores chorões, seresteiros e até sambistas do nosso Brasil, como o sobrinho do próprio Pixinguinha, Manezinho da Flauta, um senhor bem velhinho que soprava sua flauta de prata. 
Roberto Ribeiro e Martinho da Vila também já se apresentaram por lá, e tantos outros podia se ver de graça ali ao ar livre, um espetáculo.

Carlos Poyares - Regional do Isaias
Atração principal  nos 10 anos do Clube do Choro de São Paulo, e um dos fundadores e também atração da Rua do Choro (R. João Moura) no bairro de Pinheiros São Paulo.

Comecei a estudar Cavaquinho e com o contato de minha professora, fui convidado a fazer parte de um catado como pandeirista, pela primeira vez tocaria na noite e ganharia uma paguinha. O bar era o Cantinho da Vovó Belmira, acreditem se quiser na João Moura esquina com a Arthur de Azevedo, um pequeno barzinho que oferecia uma feijoada com uma pimenta brava a beça.

Eu acompanhava um já então falecido cantor chamado Rubão que ia de mesa em mesa e puxava o samba de acordo com a cara do freguês, e a gente ficava lá no palquinho batendo bem piano pra ouvir ele cantando sem microfone do outro lado do salão.
Mandava sambas que até então para mim eram desconhecidos como esses:


 


Com o passar dos anos passei a arranhar o cavaquinho, abandonei o pandeiro e inevitavelmente perdi a pegada, apenas mudei de número na rua, sai do Cantinho da Vovó e fui tocar no Brasileirinho Bar, ali aprendi a postura de músico e de bebedor profissional, se bem me entendem. Era comum olhar para o lado e ver o Manezinho da flauta ali sentadinho escutando nosso sambinha.

Aqui interpretados nas vozes de seus grandes autores, em minha forma de agradecimento por tantas alegrias, compartilho com vocês essas obras que fizeram parte do meu repertório naquelas noitadas, e que definem melhor essas lembranças.

 
 

No entervalo a gente retribuía a visita atravessava a rua e ficava ali de fora do clube do choro, só escutando os mestres lá dentro do clube mandando brasa.

Domingo o nosso cura ressaca era voltar a rua do Choro, e uma das apresentações mais inesquecíveis foi ver a divina Elizete Cardoso cantando há pouco mais de 2 metros de distancia e ver os olhos de um amigo já também falecido “Luis Gordo” se encher de lágrimas de tamanha emoção.

Na rua João Moura ficava também a quadra da Escola de Samba Tom Maior, acabei fazendo um sambinha de mesa por lá aos sabados com nosso grupo e acompanhando compositores que faziam sambas para as eliminatórias do desfile de carnaval, nunca chegamos a ganhar o samba, mais o que valia era participar.
Sede da Tom Maior 88/99
Uma família “tradicional” que segundo os músicos e batuqueiros, ou boêmios, levava até o sobrenome do homenageado “Moura” conseguiu na Justiça ou prefeitura tirar a rua do Choro de lá, e o clube acabou fechando juntamente com o Bar Botecão, que virou Bar Balancê e foi para uma outra rua ali perto. 
Quem hoje passa por lá se depara com uma agência dos Correios, o Brasileirinho e o Cantinho da Vovó Belmira foram demolidos e hoje dão lugar a dois imponentes edifícios residenciais.

Mais abaixo sentido Sumaré, onde ficava a quadra da escola de samba, mais precisamente embaixo da ponte, alguns desses distintos moradores dos edifícios ali de perto deram um jeitinho e tiraram a escola de lá alegando ser uma baderna e um barulho infernal, e hoje o local cede espaço ao sacolão da prefeitura e uma cooperativa de reciclagem.

Bom, eu que tanto atravessei esta rua de envelope na mão como mensageiro, depois com um pandeirinho sem capa e com meu cavaquinho, hoje passo atento pela rua olhando pelo retrovisor do carro, relembrando os amigos, os sambas por ali entoados, os acordes que continuam na minha lembrança e casado com uma ex-aluna de um colégio estadual que fica também na João Moura.

Sinto-me feliz e orgulhoso por ter presenciado ao progresso de minha cidade, sua história e fazer parte dela e triste ao mesmo tempo, ao ver a nossa cultura musical ser a cada esquina, a cada quintal e a cada residência, demolida para dar lugar a tantas casas noturnas que cobram tão alto o couvert artístico para se ouvir musica importada de um computador.

Todos esse fatos se deram em meados dos anos 80/90 enquanto muito sambista de valor hoje em dia estava soltando pipa, ou indo para os bailes do "Sandália", graças a Deus a missa segue muda-se o vigário e o sermão fica o mesmo, um verso do Candeia que eu gosto muito:

"Calma, calma, minha gente
pra que tanto bambambam
pois os blacks de hoje em dia
são os sambistas de amanhã!"

A todos músicos da noite, meu carinho e respeito

por:D'hora