31 de out de 2011

Tristeza? só nas músicas - Nelson é 100

                                                 
Atualizado em 02/11/2011


Nelson Antonio da Silva nasceu em 28 de Outubro de 1911 na cidade do Rio de janeiro. Seus pais eram, Maria Paula da Silva, que era lavadeira no Convento das Carmelitas e levava Nelson para ter aula de catecismo e Brás Antonio da Silva que tocava tuba na banda da Policia Militar.
Nelson desde muito pequeno já fazia seus próprios instrumentos com caixas de madeira e arame para acompanhar seu pai e seu tio que tocavam violino nas reuniões de Família.
Nelson teve que largar os estudos ainda na 3ª serie para pegar no batente como ele mesmo dizia, foi trabalhar em uma fabrica de tecidos onde não ficou por muito tempo

Morou na rua Mariz e Barros na Tijuca, depois em Silva Manuel na Lapa, e para a Rua Joaquim Silva nos Arcos, depois foi para o subúrbio de Ricardo Albuquerque, até que, finalmente se estabeleceria no bairro da Gávea

Nelson começou a aprender a tocar cavaquinho sem instrumento pois não tinha dinheiro e vez ou outra conseguia um cavaquinho emprestado de alguém , seus primeiros companheiros de samba foram Brancura, Camisa Preta e Edgar.


                                          Choro do Adeus - Nelson Cavaquinho

Pegava as coisas de ouvido vendo Heitor dos Prazeres, Juquinha violonista e Mazinho do Bandolim, logo compôs seu primeiro choro "Queda" e começou a fazer show mostrando-se um exímio solista e conseguiu por fim não só comprar seu cavaquinho como também ganhou o apelido de Nelson Cavaquinho que o acompanharia para sempre.


Nelson e Heitor
Arrastado a força pelo pai da noiva Nelson se casa aos 20 anos com Alice Ferreira Neves com quem teve quatro filhos. Como a música não rendia lá muita coisa e tão pouco o suficiente para sustentar a casa Nelson recorre a seu pai que consegue para ele um posto de cavaleiro da Policia Militar, mas sua carreira não duraria muito pois nunca levava ninguém para o xadrez, muito pelo contrario como ele nos conta:

"Resolvi parar numa tendinha e deixei amarrado na porta o cavalo,(vovô) fiquei tanto tempo conversando com o Cartola, que quando saí da birosca, cadê o animal? Tinha sumido. Fiquei apavorado. E resolvi, assim mesmo, voltar para o quartel. Não é que quando chego lá dou de cara com o cavalo na estrebaria? O danado parecia que sorria pra mim pela peça que me pregou.” 
“Eu ia tantas vezes em cana que já estava até me acostumando ao xadrez. Era tranquilo, ficava lá compondo, entre as músicas que fiz no xadrez está “Entre a Cruz e a Espada"


Levando uma vida de boêmio sua carreira na Policia logo acabaria e seu casamento também, ele ainda se casaria varias vezes mais seu grande amor era uma moradora de rua chamada Lígia, ao qual mandou fazer uma tatuagem com o nome dela em seu ombro direito.

O fato de passar boa parte de sua infância em ambiente religioso com sua mãe tornou Nelson um verdadeiro cristão e místico desprendido totalmente de bens materiais, chegava a distribuir seu cachê entre bêbedos, mendigos e prostitutas, ao qual ele tinha grande amizade.




Por volta da década de 50 ele troca o cavaquinho pelo violão, mais continuaria usando apenas o dedão e o dedo indicador da mão direita para ferir as cordas.

Sua primeira canção gravada foi "Não Faça Vontade a Ela", de 1939, por Alcides Gerardi
Compôs mais de 600 sambas muito deles inéditos e esquecidos pois ele não costumava escrevê-los e sim guardá-los em sua memória, outro fato é que ele vendia muitos de seus sambas, até mesmo os de parcerias feitos com grandes sambistas como Mestre Cartola, que chegou ao ponto de desfazer a parceria para não perder a amizade com Nelson, que por sua vez argumentaria que vendera a sua parte de um samba não a do Cartola.



Muito embora seus sambas foram gravados por gente como: Elizeth Cardoso, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Dalva de Oliveira, ele entraria em estúdio para gravar seu primeiro disco com quase 60 anos de idade devido as gravadoras acharem estranho seu modo de tocar e mais estranha sua voz.

                                                              Rei Vadio



História de um valente - Nelson Cavaquinho - José Ribeiro


Nelson e Cartola desfile da Mangueira
Ele não dava importância alguma se seus sambas seriam gravados ou não e continuaria a escrevê-los de forma mais constante, sempre em bares acompanhado de seu inseparável violão, chegava a ficar dias fora de casa onde em uma ocasião esqueceu umfrango assadodentro do estojo de seu violão que começou a cheirar mal dentro do bar.


Foi assim que conheceu seu parceiro mais constante Guilherme de Brito.

Conheci o Nelson Cavaquinho no Café São Jorge. Nelson já era um sucesso, quando passava de manhã no botequim, estava aquele aglomerado de gente em volta de uma mesa. Às vezes eu voltava de noite, trabalhava o dia inteiro, e lá estava o Nelson com o seu violão. Até que um dia eu me atrevi e cheguei perto dele com a primeira parte de um samba, que foi "Garça", e falei: "Ô Nelson, vê se você gosta aqui...". Ele disse que estava ótimo e fez a segunda parte. Dali em diante seguimos até o fim da vida e fizemos um trato de compormos juntos, só eu e ele. Foi muito boa a parceria e fomos leais até o fim da vida dele. Se bem que ele pulou fora duas vezes durante esse período e compôs com outro cara, mas foi muito bom. Se ele estivesse vivo, estaríamos com certeza até hoje ligados um ao outro”.




A primeira parte do sambaTatuagemGuilherme fez pois era muito discriminado por uma tatuagem de Índio que ele tinha, tatuagem esta que até tentou tirar com castanha de caju, o que acabaria apenas com uma cicatriz na testa do Índio, Nelson terminaria o samba com versos em homenagem a sua tatuagem do braçoLigia



Nelson era cultuado por gênios da MPB como Tom Jobim e Baden Powell.
Paulo Cesar Pinheiro que foi casado com Clara Nunes e era amigo e companheiro de Nelson estava sempre acompanhado de um gravador k7 onde registrou muita coisa inédita de Nelson e que acabaria sendo gravada pela cantora, sua grande intérprete.


Na década de 60 Nelson fazia diversas apresentações no Bar ZiCartola onde se tornou reconhecido pela mídia.
Teve participação no disco fala mangueira com Clementina de Jesus, Cartola, Carlos Cachaça e Odete Amaral de 1968

Gravou seu primeiro cd individual em 1970, e mais dois pela série documento e cantores da mpb. De 1972 e 1973
Vários artistas começaram a gravar seus sambas como : Nara Leão que gravou "A Flor e o Espinho" e "Luz Negra", Thelma Soares gravou um disco com suas composições, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Leny Andrade e Beth Carvalho.

Paulo César Pinheiro, Beth Carvalho, Nelson Cavaquinho, Chico Buarque, João Bosco, Carlinhos Vergueiro, Cristina Buarque e Mauro Duarte de 1985  para um disco em sua homenagem

Esse reconhecimento musical trouxe a ele uma vida mais calma, conseguiu comprar uma casinha em Vila Esperança e casou-se novamente, sua esposa Durvalina que era 30 anos mais nova conseguiu afastar Nelson do Álcool e cigarros.




Nelson nos deixou em 1986 vitima de um enfisema pulmonar.

                         Euforia Nelson Cavaquinho, Eduardo Gudin e Roberto Riberti


Ao contrario do que se imagina, comparando suas letras sempre falando de morte, tristeza e desafetos amorosos, Nelson Cavaquinho era muito alegre e humilde. Um exemplo que muitos artistas deveriam prestar mais atenção, não deixou nenhum seguidor, mas uma imensa obra rica em versos e introduções de violão, que são dificílimas de imitar até hoje. Quem realmente é de Nelson Cavaquinho prefere ouvir seus sambas executados por ele mesmo e de forma mais reservada, longe de qualquer tipo de ruído, de preferência usando fones de ouvido e olhos fechados, esperando alguma escala improvisada nos bordões de seu violão e imaginando estar numa mesa de algum botequinho frente a frente ao mestre, pois assim era sua maior alegria cantar para quem realmente gostava de ouvi-lo. 



                               Desconsolo -"ainda decorando a letra" - acervo HBC
                                                             

               

Ficha Técnica:
Gênero: Curta / Documentário
Diretor: Leon Hirszman
Duração: 13 minutos
Ano de Lançamento: 1969
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português






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Vídeo - TV



Programa Ensaio TV Cultura




Zé Keti & Dino 7 Cordas


Compadre Nelson Cavaquinho
Onde anda você
Já me disseram que deixaste de beber
o seu conhaque
Sua Genebra bem amada
em suas mil ou mais moradas.
Você cantava a noite inteira
Com a batida diferente do seu violão
E nos bares da cidade
Bebia um vinho rascante
A rouquidão em sua voz era constante,
bem constante
E na Praça Tiradentes
Cantava seus sambas prá gente
depois saía com a viola prá lugares diferentes
A Lua foi sua companheira
E hoje está de luto com a Estação Primeira
A Lua foi sua companheira
E hoje está de luto com o Morro da Mangueira
Sabemos que o Brasil
e o mundo inteiro te conhece
Eu bato palmas prá você
porque você merece
Onde anda, eu quero ver o seu parceiro
O Guilherme deve estar coroa
E aqui prá nós
A dupla é muito boa
Eu tambem já compus alguma coisa
Já fiz sambas com você
Se hoje sou poeta, tive muito que aprender
{ Enriqueceu os versos meus
{ O meu muito obrigado, adeus
{ meu criador






                         
              Família de Nelson fala sobre a homenagem feita pela Mangueira 





1 de out de 2011

"Eu sou Escravo da Música"



Romildo Souza Bastos


Nascido em Pernambuco em 27 de Dezembro de 1941, filho de músico Romildo era cantor, compositor e oficial reformado da marinha
Foi para o rio de Janeiro em 1953 e logo passou a fazer parte da ala de compositores da Portela e mais tarde da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Romildo escreveu inúmeros sambas de grande sucesso como:  A Deusa dos Orixás“, “A Rainha Ginga”, “Água de Sereno", “Conto de Areia”, ”Ela Não Vai Gostar de Mim“, “Flor Misteriosa”, “Natal de Fantasia” e “Partilha” entre tantos outros...

Elza Soares, gravou o samba “Primeiro eu” e Clara Nunes interpretou Conto de Areia”. O LP bateu recorde de vendagem para cantoras brasileiras com mais de 300 mil cópias vendidas, um feito nunca antes registrado no Brasil.
Elizeth Cardoso gravou “Aroeira”, “Cuíca e Viola”, “Flor Misteriosa” e “Água de Sereno” todos de 1974 e com a parceria de Toninho Nascimento.

Em 1975 Clara Nunes grava “A Deusa dos Orixás” e dai pra frente foi brasa por cima de brasa.

No ano de 1976 Elizeth Cardoso grava “Rio Seco” e em 1977 Clara Nunes grava “Senhoras das Candeia”, em1979 Roberto Ribeiro também grava “Partilha”, em 1981 Clara Nunes grava “Congada”, em 1982 a mesma grava “Menino Velho” e “ Vapor de São Francisco” e ainda Jorginho do Império em 1983 grava “Casa de Comodo”.


No ano de 1984 gravaram um disco especial de natal para Coca-Cola, também fez o samba vencedor para o desfile da Padre Miguel em parceria com Edson Show e a escola ficou em 2º lugar, mais seu samba tirou nota 10 de todos os jurados e levantou a avenida, nos anos seguintes Agepê grava “rainha Ginga” e “São Jorge da Costa Mina” no ano de 1990 Noca da Portela e Mussum gravam “Cabeça de Porco” dele com Noca e Toninho. 


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Romildo também chegou a fazer parte da ala de compositores da Portela com reconhecimento do próprio mestre Candeia.

No dia 07/05/1990 Walter Filé grava um belíssimo documentário que veio a dar inicio a série "Puxando Conversa" produzido pela TV Maxabomba com realização  CECIP.
Não tem como não se emocionar com tantas histórias vividas por Romildo e contadas por ele da forma mais autêntica, espontânea e divertida.
Confiram:



Menos de uma semana depois de gravar este video que acabamos de assistir  no dia "13 de maio de 1990"  vitima de um infarto Romildo se vai atendendo ao pedido dos seus Orixás


Seu nome jamais deve passar desapercebido quando citarmos e homenagearmos  os compositores da Portela e da Padre Miguel e cantarmos seus sambas, pois é muito comum se fazer referencia ao cantor intérprete e deixar escapar o nome do compositor. Á exemplo "canta aquele samba da "Clara"  um erro grave que todos nós cometemos com frequência infelizmente.

Essa fórmula de transformar versos  que lembram  muito ao forró, ao côco e a música nordestina de vocabulário rústico em geral  e colocar dentro do samba  com uma magnifica harmonia é uma coisa fantástica, um estilo único que chega a arrepiar.
Claro  dá trabalho decorar os versos, mas quanto mais se escuta mais agradável fica aos ouvidos, e a recompensa de ter no repertório um samba assim? 

                            "Moeda" com Clara Nunes


Um lindo samba para o terreiro do Salgueiro:


                            "Flor Misteriosa com Elizeth Cardoso"


Uma gravação muito rara na voz da divina Elizeth com esta mensagem em forma de samba:
                                         "Rio seco"


Como prova de profunda amizade os amigos e moradores da rua Pará em Mesquita através de muita luta e abaixo assinado conseguem na justiça pela lei de Nº 2035 de 1991  a mudança do logradouro e a rua passou a se chamar "Romildo Souza Bastos". 


Matéia sobre o projeto clique para ver


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...Que jamais será esquecido